Clique na foto para ampliar

Recentemente eu li um artigo no blog do Jorge C. Reis (http://www.pontoblogue.com/2008/10/heroicidade-no-mar-o-caa-minas-augusto.html) , que me fez lembrar de uma viagem que fiz em 1980 à Ilha de Trindade, território brasileiro no meio do Oceano Atlântico, a aproximadamente 1200 milhas náuticas ao leste de Vitória - ES.
Na época, havia sido convidado pela MB - Marinha do Brasil, através de um grande amigo já falecido, Cmte. Lages, a viajar com ele no H34 - Navio Faroleiro Almte. Graça Aranha, para fazer algumas fotos aéreas do local, para o acervo da MB.
Em lá chegando, fiquei muito impressionado com a o local e com a "energia" que de lá emanava.
Trindade é uma ilha vulcânica, em formato de cálice, totalmente inóspita, com uma rara e rala vegetação rasteira, provavelmente oriunda de sementes depositadas pelos pássaros através de seus excrementos.
Vivem na ilha apenas 32 "tripulantes" do POIT - Posto Oceanográfico da Ilha de Trindade, uma multidão de pássaros marinhos e para minha surpresa, vários caprinos e suinos selvagens, que contribuem para a destruição da rara vegetação local, sendo por isso caçados pelos "tripulantes" da ilha.
Ao perguntar sobre como aqueles animais haviam chegado lá, me disseram que eles eram sobreviventes de naufrágios que lá ocorreram, no caso dos porcos, eles eram oriundos do naufrágio de um navio alemão durante a primeira guerra mundial.
Como a história desse naufrágio era muito interessante, eles me deram para ler uma antiga edição da revista Seleções (Readers Digest), que contava como tudo ocorrera.
Pena que tive que deixar a revista lá, pois vou ter que recorrer à minha memória, que já não é lá essas coisas, para poder contar essa história a vocês que leem os meus escritos.
Por essa razão, não vou poder citar "os nomes dos santos", e portanto, contentem-se apenas com o "milagre"...
UMA BATALHA DA 1ª GUERRA MUNDIAL
No início da 1ª Guerra Mundial, tanto a Inglaterra como a Alemanha chamaram seus navios de passageiros de volta, para que fossem reformados, recebessem armamento e transformados em "cruzadores ligeiros".
A história que segue, diz respeito a dois desses navios, chamados na época de "paquetes", um inglês, de três chaminés e o outro alemão, com apenas duas chaminés.
O cruzador ligeiro inglês, já transformado, patrulhava as águas do Caribe, enquanto que o paquete alemão, que ja tinha sido chamado de volta ainda se encontrava retido no porto de Buenos Aires.
Nesse navio, dentre seus passageiros, havia um alemão criador de porcos, que tinha levado várias de suas matrizes e cachaços para serem vendidos na Argentina, e surpreendido pela guerra, desistiu de vende-los e resolveu retornar no navio com a sua carga de suinos.
Também eram passageiros desse navio toda uma compania de teatro, com atores, músicos e cenógrafos.
O comandante alemão recebeu ordens para que partisse para a Ilha de Trindade, e que lá aguardasse a chegada do restante de uma frota, que estaria levando o seu futuro armamento e tudo o mais que fosse necessário para a atualização do navio, e lá se foi ele, cumprindo com o que lhe fora ordenado.
De alguma forma, que não me lembro mais, a espionagem britânica ficou sabendo que algo aconteceria na região da Ilha de Trindade, naquela época ainda desabitada, e ordenou que seu cruzador ligeiro que estava no Caribe, o mais próximo de Trindade, partisse para lá para investigar.
Como teria que fazer isso sozinho, sem apoio de nenhum outro navio, o comandante inglês resoveu disfarçar o navio.Ao consultar o "manual de embarcações" (acho que o nome é este), ele descobriu que havia um paquete alemão de duas chaminés, casco preto e casario braco, que tinha uma silhueta muito parecida com a do seu navio, diferindo apenas na quantidade de chaminés...
Resultado: como o seu navio ja era todo cinza, ele mandou pintar o casco de preto, o casario de branco, desmontou e tapou a terceira chaminé, e lá foi ele para a Ilha de Trindade disfarçado de paquete alemão...
Do outro lado, o comandante alemão, por estar desarmado, também resolveu se disfarçar. Consultando o "manual de embarcações", ele descobriu que havia um paquete inglês, igualzinho a ele, só que o inglês tinha três chaminés e ele só duas...
Ora, ele tinha a bordo uma compania teatral com seus cenógrafos... Foi fácil construir uma chaminé falsa, dar retoques na pintura e "virar" um paquete inglês...
A essa altura, vocês já devem estar imaginando o que aconteceu... Pois foi isso mesmo!
Os dois navios, um disfarçado do outro se esbarraram na Ilha de Trindade, e o alemão, por estar desarmado levou a pior e foi posto a pique pelo navio inglês, que por sua vez, foi também afundado pela frota alemã que chegou justamente durante a "batalha" entre os dois paquetes, mas não a tempo de salvar o navio alemão.
Pois bem... Essa é a história dos porcos da Ilha de Trindade. Os únicos sobreviventes do pobre coitado paquete alemão...

Prezado amigo,quando estava na ativa estive por
ResponderExcluir7 vezes, em períodos de 4 meses.Isso já faz uns
bons 30 anos.Foi muito gratificante e tenho mui
tas recordações. Entre outras atividades cacei
porcos, cabritos, carneiros, galinha d'angola e
até tartarugas o que seria crime ambiental atu
almente.Escalei muitas vezes o pico do desejado